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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

TV e formação do cérebro

Foram muitas coisas que nos fizeram tomar a decisão de "desligar" (ou "reduzir muito") a TV, entre elas os estudos que apontam para problemas na formação do cérebro infantil exposto à qualquer tipo de programa. Considerando a plasticidade de nosso cérebro, acho que os adolescentes e os adultos também deveriam se preocupar :) Seguem um texto e uma TED talk sobre o assunto, bem interessantes:

DÉFICIT DE ATENÇÃO

Estudo comprova malefícios da TV no cérebro de crianças

Lindsey Tanner

Tirem as crianças da frente da TV. Pesquisadores descobriram que cada hora passada diante da televisão faz com que crianças em idade pré-escolar aumentem suas chances de desenvolver problemas de déficit de atenção mais tarde.
Os resultados atestam que a TV pode diminuir os níveis de atenção das crianças e apóiam a recomendação da Academia Americana de Pediatria, segundo a qual crianças com menos de dois anos não devem assistir a programas de televisão.
“Existem milhares de motivos para que as crianças não vejam TV. Estudos anteriores mostraram que o hábito está associado a obesidade e agressividade infantil”, afirma Dimitri Christakis, pesquisador do Centro Médico Regional de Seattle. O resultado do estudo conduzido pelo doutor Christakis foi divulgado na edição de abril da revista Pediatrics, publicada pela Academia Americana de Pediatria.
Foram pesquisadas 1.345 crianças de um a três anos de idade. De acordo com informações fornecidas pelos pais, aproximadamente 36% das crianças de um ano não assistiam nunca à TV, enquanto 37% assistiam de uma a duas horas por dia e por isso possuiam um aumento de 10 a 20% de chances de desenvolverem problemas de atenção. Nas crianças de três anos, apenas 7% não viam TV e 44% assistiam de uma a duas horas por dia. O resultado da pesquisa sugere que o hábito de ver TV superestimula e modifica o desenvolvimento normal do cérebro de uma criança. Entre os riscos encontrados estão dificuldade de concentração, impulsividade, impaciência e confusão mental.
Os pesquisadores não se preocuparam em saber que programas as crianças assistiam, pois, segundo Christakis, o conteúdo não é o culpado pelos danos causados ao cérebro. O problema é a rápida superposição de elementos visuais, típica dos programas de TV. “O cérebro de uma criança se desenvolve muito rapidamente durante os primeiros três anos de vida. Ele está realmente sendo ‘conectado’ neste tempo”, diz o pesquisador. O estímulo excessivo durante este período em particular pode criar mecanismos danosos à mente da criança.

TEDxRainier - Dimitri Christakis - Media and Children

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Por que desligar a TV? A publicidade

Dentre os vários motivos que nos levaram finalmente a "fechar a torneira", podemos citar nossa preocupação com a publicidade voltada para as crianças. Basta ver meia hora de qualquer canal dito infantil pra perceber que propaganda é o que não falta: é boneca de todo modelo, é boneco que fala, é iogurte que bota e apaga fogo em floresta, sandálias e tênis coloridos e um ou outro produto de limpeza (alguém sentiu um cheiro de sexismo no ar? Hein, alguma mãe poderia se manifestar?). Durante e depois de cada comercial, vem a ladainha da meninada: "Eu quero! Eu quero!" Compreensível, pois nós "adultos" certamente pensamos a mesma coisa quando vemos propaganda de carro, celular, resort no nordeste... O consumo é tema importante, independente da idade, mas pensar que nossos filhos (e foi muito diferente conosco quando éramos crianças?) estão sendo habituados com a ideia de que para cada desejo há um produto correspondente e depois outro e outro e outro... bem, é algo que nos incomoda bastante. Logo, sem TV paga (o mesmo vale para a aberta), sem comercial televisivo. "Ah, mas assim seus filhos vão estar despreparados para enfrentar a força da publicidade quando estiverem maiores!" Bem preparadas devem estar as crianças que começam a ver TV antes de completar um ano de idade... Se tudo der certo, nossos filhos não vão nem entender a publicidade! Propaganda não vai nem fazer sentido: "Como assim, essas pessoas que nem me conhecem estão dizendo que sabem melhor do que eu o que eu preciso pra ser feliz?" Lógico, a publicidade infantil não está só na TV, está nas revistas, na internet também. Mas quantos comerciais nossos filhos viram enquanto nós os deixávamos sozinhos na frente da TV, confiando que tudo que passava em tal ou qual canal era somente conteúdo "apropriado"? Sem TV paga, o grau de contato que eles têm com a publicidade é bem mais filtrado por nós, e bem menos "covarde" (pra usar uma expressão que está no documentário que vou citar a seguir). A ideia é ter mais tempo pra ficar com nossos filhos, mais tempo pra eles ficarem com eles mesmos, ou seja, sem que sua atenção e imaginação sejam direcionadas por outras pessoas cujo maior interesse (ou único) é vender determinado produto (ou fazer uma campanha publicitária de sucesso, ou lucrar, ou ganhar mercado para sua marca etc.). Para quem tem interesse sobre o tema publicidade infantil, sugerimos o documentário nacional "Criança, a alma do negócio", já citado em nosso primeiro post. A partir dele, discutimos muitas coisas que nos ajudaram a desligar a TV.