Star Trail realizada por Kirihara na Chapada dos Veadeiros, em Goiás
Enquanto a gente atravessava a dor, o medo e a cidade, em pleno rush de meio da tarde de uma terça-feira nublada, entre uma contração e outra, na quase chegada de seu filho ao mundo, ela me pediu:
“Alê, conta uma História”
Eis aqui um pequeno trecho dessa longa História de Amor Encantado que tive a honra de testemunhar:
A Chegada de Noa
Foram muitos dias de expectativas antes do início do trabalho de parto.
Muitas bençãos, muitos rituais e festas enquanto Noa nadava tranquilamente em suas águas vitais, se banhando e se beneficiando do aconchego uterino.
Na última sexta-feira, em uma festa, um conhecido Bruxo Dançarino deparou com essa gestante que lhe contou que seu filho poderia nascer a qualquer momento. Mas ele, com sua sabedoria despretensiosa, alegremente discordou informando que ainda não era a hora certa. Ela ainda insistiu na proximidade do parto e o Bruxo-dançarino, de forma marota, como quem brinca com o controle do tempo, lhe anunciou: “Relaxa, não será hoje, será terça-feira”. E desapareceu entre poemas e músicas. A profecia estava posta.
Como premeditado, exatos três dias depois, na madrugada de terça-feira, apareceram os primeiros sinais.
E, como em toda boa aventura, haja fôlego!
Muitas águas ainda rolariam... chuva, fontezinha, bolsa estourando, chá, chuveiro, lágrimas... até porque...
Não foi só um Parto
Foi o reencontro com o Sagrado
Com a Fé
E com o que há de mais visceral e Humano em nós
Não foi somente um Parto
Foi uma “Odisseia”
Com intensidade, desafios e superações
Não foi apenas um Parto
Foi curtir a paisagem do próprio Quintal
Construída com as próprias mãos
Entre uma contração e outra
Foi colher coco do pé para beber a sua água
Sentados ao redor da Fonte
Enquanto peixinhos dourados, azuis e vermelhos
nadavam em sincronia com a força Divina
e a gente se reabastecia de Paz e Força
para continuar a Jornada
Não foi só mais um momento de Parto
Foi enfrentar dragões e outras feras
Chegar quase na exaustão
E, cansados, dançar alegremente com o Universo
Num pequeno quarto de Hospital
Uma festa de estrelas e vagalumes
Não foi simplesmente um Parto
Foi rearranjar toda estrutura interna
Quebrar qualquer controle
Ficar de ponta cabeça
Muitos chacoalhões
Aceitar os mistérios do Universo
E confiar na Ciência
Foi sentir Deus pelas mãos da Médica
E, por tudo isso e muito mais,
Não foi só terminar em uma cesariana
Foram muitos partos vivenciados
Até que Noa chegasse
Pleno, Forte e Vitorioso
Nos braços de seus Protetores
E essa é só uma das várias versões que eu poderia contar sobre essa maravilhosa chegada ao nosso mundo.
Guardarei no coração as várias vezes que ouvi minha amiga cantar meu nome durante todo esse dia: “Alê, Alê, Alê....” e assim reafirmar minha gratidão por poder estar ao seu lado, nesse momento tão grandioso.
Bem-vindo Noa!
Bem-vindo Pequeno Ser de LUZ!
Seu pai é um Guerreiro!
Sua mãe é uma Deusa!
Alessandra Araújo (17/12/2025), após um PARTO depois de um longo período sem doular






