sexta-feira, 10 de abril de 2015

Desabrochar

Ontem foi mais um dia de acompanhar um casal se transformando pela chegada de um filho, ou melhor, uma filha, uma pequena guerreira que vem para despertar a entrega, a confiança, o instinto, a força e a delicadeza da Vida.

Um processo intenso, de se permitir dançar com a música incerta, com a falta de garantias, com o descontrole... e que dança bonita!!! Uma mulher lutando contra seus medos e um homem inteiro, seguro e imensamente carinhoso. Uma mulher que cresceu e se transformou grandiosamente em mais de 18 horas de trabalho de parto, com bolsa rota e mecônio. Da extremo racional para a libertação do instinto. Coisa linda de se testemunhar!

Por fim, uma tranquila e ponderada decisão em conjunto, médica e família, por uma cesariana por distócia de progressão + angústias sobre o mecônio... Um nascimento de uma menininha forte, saudável e linda. Um pai com uma alegria que não cabia em seu corpo, a festa contagiando todos por perto...

E o coração da doula em paz... por sentir a transformação e o sagrado desse momento... por mais uma vez admirar a disponibilidade, entrega e parceria da médica com o processo (ainda escrevo só sobre isso!), por saber que não é a via de parto em si, mas sim como vivemos e recebemos esse momento... Mais uma criança bem-vinda ao nosso Mundo!


segunda-feira, 30 de março de 2015

Memorial ENAs e MAB: sobre eu mesma

Sou de Uberlândia-MG. Fiz parte do grupo Solidariedade, um grupo de adolescentes formado pela escola de ensino fundamental que frequentei e ampliado como projeto extra-curricular até os 18 anos. Desse grupo, por desejo dos adolescentes e coordenadoras participantes de continuar os projetos enquanto multiplicadores do nosso processo de formação, montamos a ONG Paepalanthus - Espaço do Adolescente (que desenvolvia ações de sexualidade e cidadania para e com adolescentes).
Paepalanthus: "sempre-viva do cerrado"

O primeiro encontro que participei foi o V ENA, em Campinas, e eu tinha 15 anos. Daí participei do VI, VII, VII, IV, X e XI Encontros Nacionais de Adolescentes. E de mais muitos Encontros Regionais e Municipais de Minas e São Paulo. Fora a participação no processo de criação do MAB (Movimento de Adolescentes Brasileiros) e da função de educadores juvenis.

Há exatos 20 anos do começo dessa história, venho refletir sobre qual a influência desse processo vivido sobre os caminhos que percorri depois... Para começar, minha escolha profissional foi por inspiração e desejo de continuar o caminho iniciado nesse Movimento. Me formei em Psicologia e comecei a trilhar um caminho profissional de encontro com seres humanos e pela busca de ouvi-los e permiti-los serem reconhecidos como sujeitos de direitos. Minhas escolhas foram sempre pelo caminho dos "marginais", no sentido dos que estão fora da norma privilegiada... foi assim que trabalhei no Sistema Único de Saúde, no convívio com homens, mulheres e adolescentes em uso abusivo de álcool e drogas por um curto tempo (1 ano), depois compartilhando as dores e alegrias das crianças e adolescentes com transtornos mentais graves por um tempo razoável (5 anos) e um longo tempo (10 anos) me emocionando e aprendendo com seres humanos em estado crônico e avançado de doenças graves e degenerativas sem perspectiva de melhora, me emocionando com valores relacionados à qualidade e respeito à Vida e à Morte. E mais recentemente, há 3 anos, descobri um novo e encantador Universo que fez meu coração pulsar intensamente, que foi a Humanização do Parto e Nascimento, me fazendo entrar de alma nessa história e reconfigurando todo o meu trabalho para essa área. Me capacitei como Doula e também assumi a função de Apoiadora Técnica dessa área em toda a Rede da Secretaria de Saúde de Uberlândia, que é onde me encontro há 1 ano. No meio disso fiz meu mestrado em Ciências da Saúde e Especialização em Violência contra Crianças e Adolescentes e atualmente estou em formação em mais duas especializações, uma em Apoio Institucional e outra em Medicina Antroposófica. E tenho me realizado como doula, que é uma acompanhante da mulher no processo de gestação, parto e pós-parto e como mobilizadora de um Círculo Sagrado para Mulheres, trabalhos nos quais a gente abre um espaço para o encontro com o nosso feminino no que ele tem de mais puro. Ufa!

E, em todo esse caminhar, consigo ver uma linha clara e forte a me conduzir por todos esses lugares. Um lugar comum e princípios que se repetem: a visão de que todo ser humano é único e merece ser ouvido e respeitado em suas características singulares; a defesa da Saúde como algo amplo, muito além da ausência de sintomas e, sim, como possibilidade de estar bem consigo mesmo; a ideia de que o indivíduo tem o direito de participar e escolher seu tratamento e de ser respeitado em suas escolhas; a importância do compartilhamento de saberes, de todos os envolvidos no processo, profissionais e "pacientes" e a noção de que a ciência é apenas um dos saberes e tratamentos possíveis, sendo que os conhecimentos culturais e populares também contém suas verdades e eficácias; o trabalho em e com grupos como um forte recurso/dispositivo de tratamento e a habilidade de estar e conduzir esses grupos e, por fim. a capacidade de ver o ser humano de forma integral e além de sua doença ou condição de saúde.
Acredito que todas essas habilidade conquistei enquanto participava dos grupos de adolescentes, e conquistei sentindo eles na pele, sentindo cada um desses princípios perpassando por mim e pelos grupos. Ser respeitada, ser ouvida, ser acolhida, ser abraçada, ser levada em consideração, ser acreditada, ser empoderada, ser inteira e ser várias, ser corpo, alma e coração, ser voz, ser dança, ser silêncio, ser política e ser brincadeira, ser razão e emoção, ser grupo e ser Um... são partes de mim adolescente que pude vivenciar e experimentar nos grupos e nos encontros desses Encontros de Adolescentes.
Das lembranças marcantes, ficaram as danças circulares, os encontros de olhares de gentes tão diferentes, de culturas, realidades e regiões tão distantes, os rituais indígenas, a fogueira, os teatros, minhas oficinas de poesia, a recepção acolhedora a todos que chegavam, as longas viagens de ônibus e a festa dentro deles, o violão, as reuniões de preparação, o "policiamento" e a tentativa de burlá-lo à noite, as mandalas... refletindo agora, o que ficou impregnado em mim, no meu modo de ser, agir e pensar foram os Rituais... sim, em todas essas lembranças é como se eu tivesse passado por um rico e simbólico ritual na adolescência e que de alguma forma me transformou e me possibilitou ser quem eu sou hoje.

E se isso não bastasse, foi nesses encontros, aliás, desde o primeiro encontro que fui, que esbarrei no meu "animus", caracturalmente o extremo oposto de mim. Eu, sociável, comunicativa, conversadeira, afetuosa, expansiva e sorridente. Ele, introvertido, calado, introspectivo, fechado e sério. Eu, carregando uma mochila de ursinho de pelúcia. Ele, uma pasta de couro. Eu, baixinha, gordinha, cabelos encaracolados. Ele, alto, magro, cabelos longo e lisíssimo. Pronto, era isso, a balança perfeita para equilibrar os extremos... Mas foram necessários vários encontros e re-encontros para que a distância e curiosidade, se transformasse primeiro numa sincera amizade e bem depois, quase que por "acidente", em um beijo que aos poucos foi se lapidando em amor... Nos conhecemos em 1995, começamos a namorar em 2000, nos casamos em 2004, tivemos 2 filhos e depois de 20 anos, voltamos juntos a mais um Encontro. Se não bastasse todas as vivências e emoções que os Encontros me propiciaram, foram eles que também me possibilitaram reconhecer meu companheiro do dia-a-dia, meu parceiro de conversas, de sonhos e de pão. Foi num dos encontros que ele se dirigiu a mim como a sua companheira: aquela que ele escolhera para dividir o pão com ele...

Foto: Mila
E desse casamento e por causa dos filhos que geramos, acabamos nos deparando com mais uma grande questão e que no meu ponto de vista, tem muito a ver com o que vivemos no MAB e que diz respeito à educação. Ao lidar com a educação de nossos filhos, começamos a questionar vários pontos e princípios da educação tradicional formal e isso nos levou a buscar outros modelos e por fim, por falta de opção, a criar um espaço de educação em nossa cidade, para os nossos filhos, de acordo com aquilo que acreditamos e desejamos que eles experienciem. Esse espaço se chama Casa da Árvore e é um espaço que acredita que cada criança e adolescente é um ser com total capacidade de se desenvolver, que tem direito de participar da construção dos seus espaços de convivência, que aprende e apreende o tempo todo porque é isso que nós, seres humanos, fazemos e, ainda, que toda criança e adolescente merece ser reconhecido como sujeito capaz, autônomo e potente e que quanto mais participação e espaço tiver em suas próprias escolhas mais capaz, consciente e feliz, ele será. Conseguir força, apoio e parceria do companheiro para mergulhar junto num desconhecido que ninguém mais entende mas que vem de encontro ao coração, só mesmo tendo já vivido isso em algum outro momento... talvez porque os ENAs tenham sido um pouco assim também, né?!

Alessandra Araújo (30/03/2015)




sábado, 14 de março de 2015

Sobre partos e doular: Mais um dia que vi e senti o sagrado

Uma mulher se partindo,
Se desmembrando,
Se expandindo...
Uma noite em claro, mulheres fortes
Conversas suaves
Meia luz e café quente
Um homem de pura tranquilidade
Confiante, sereno
Prestativo e servil
A mulher, concentrada em si
E em todos
Controla o descontrole e se abre
A sombra e a luz
Misturadas com uma suave música
Ao encontro de dois Mundos
Eis que, amanhece,
A luz tudo preenche
E nas águas da vida, a película protetora se revela,
Trazendo consigo um choro suave
A mulher, partida e recomposta
Carrega seu filho e canta
E espanta o que por tanto tempo
Se fez mistério

A vida em si

quarta-feira, 11 de março de 2015

A velha que habita em mim

A velha que habita em mim
manca, olha pra baixo, 
enruga o semblante e
enverga as costas com os pesos da vida.

A velha que habita em mim
me puxa para o passado, enrigesse
me segura e duvida de si

A velha que habita em mim
me quer sempre ao seu lado 
cuida, me impedindo de sair

A velha tem medo, muito medo
De tudo que não conhece
E de muito do que já viu e viveu

A velha que habita em mim
sentiu na pele o sofrer
foi machucada, violentada, calada

A velha que habita em mim
Se esqueceu que foi jovem
Que também sonhava, voava

A velha ama a jovem
E por amor protege
E a vida se repete

Venha velha,
sente-se aqui com a jovem,
conversem, entrem num acordo

A jovem precisa partir...



(texto-reflexão das minhas curas antroposóficas...)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O que uma doula faz??? Doula é uma bengala!!!

 Texto originalmente escrito por mim para o blog da minha amiga e atual doulanda Sabrina, aqui o link do texo no blog Expomaterna.

Sou doula de formação há dois anos. Descobri o conceito de humanização do parto e nascimento um pouco antes e, portanto, após o nascimento de meus dois filhos por cesáreas desnecessárias... Sim, eu sempre desejei ter parto normal e sim, acabei em cesárea por conta do modo de funcionamento do nosso sistema obstétrico. Na minha época me lembro da minha angústia e conflito quanto ao que lia sobre “as recomendações da Organização Mundial de Saúde para o parto e o bebê” e as orientações, condutas e indicações que recebia dos médicos em relação à gestação, parto e maternidade...
Meus filhos nasceram mas minha inquietude continuou, até que as coisas começaram a se revelar para mim... Descobrir o conceito de parto humanizado foi descobrir um novo universo, cheio de possibilidades e muito em sintonia com a minha prática e experiência profissional como psicóloga. Acreditar na força e na capacidade de si, poder assumir sua história, se informar e ser capaz de escolher o seu caminhar... Fazia muito sentido isso tudo dentro de mim.
Me aproximei do grupo de profissionais que iniciavam seus trabalhos em Uberlândia, comecei a frequentar os grupos para aprender e também porque estar nesse meio me fazia bem... Criei laços e amizades e comecei minha formação como doula.
Mas, afinal, o que uma doula faz?
Eu,Thais e a médica, foto de Alan
Teoricamente a doula é uma profissional que surge para suprir uma necessidade do nosso atual sistema obstétrico (hospitalocêntrico e tecnocrático), que é a falta de apoio e acolhimento para a pessoa que deveria ser o foco das atenções: a Mulher! Pois, no sistema obstétrico tradicional, tudo gira em torno da figura do médico e tudo funciona para servir a esse, os instrumentos, a posição da gestante, o horário da cirurgia, a temperatura e a iluminação do ambiente, etc e tal.
Com a realização dos partos nos hospitais e consequentemente a transformação desse evento em um ato médico, nós, mulheres, deixamos de saber sobre parto. Desaprendemos a escutar o corpo, deixamos de reconhecer as fases e o desenrolar de um trabalho de parto e mais ainda, passamos a sentir medo e receio de viver esse momento. Aprendemos a nos sentir impotentes, incapazes, imperfeitas... e acabamos por entregar nossos corpos e nossa alma para um “salvador”. Sim, diante do horror inventado, preferimos fechar os olhos e torcer para que tudo acabar logo, sem sentir, sem participar, sem viver!
A doula surge nesse contexto para possibilitar uma nova engrenagem. É uma mulher que se nutre de conhecimento e confiança no corpo feminino e se disponibiliza para estar ao lado da gestante e contribuir para que essa se reaproprie de sua sabedoria e conhecimento perdido. É uma profissão necessária ao contexto, pois a função principal da doula é ENXERGAR a mulher. Enxergar e servir essa mulher, no que ela necessita para enfrentar de forma mais autônoma e amorosa possível esse momento.
Eu e Mari, foto de Fernando
A doula é uma bengala. Uma bengala que possibilita que a mulher caminhe com suas próprias pernas, que oferece suporte físico e emocional, que dá sustentação... Mas vale ressaltar que uma bengala é só um instrumento que funciona a partir da força e desejo de quem caminha... um bengala não faz o caminhar!!! Quem caminha e escolhe o caminho, nesse caso, deve ser sempre a mulher.
Uma doula faz encontros com a gestante durante a gestação para conhecer a mulher, o acompanhante e a família, criar vínculo e fornecer informações e preparar a mulher  para o parto. Uma doula acompanha todo o parto, dando apoio e suporte para a mulher e acompanhante no que for necessário (a doula orienta, acalma, ajuda a reconhecer os sinais, sugere posições, faz massagens e outras técnicas de alívio da dor,  dá agua,
Eu e Aracéli, foto de Cíntia
limpa o chão, enche a banheira, dá comida pro cachorro, conversa com a vizinha que bate na porta para saber se está tudo bem, olha nos olhos, aperta a mão, deixa o casal sozinho para eles curtirem, fica junto, silencia, apoia...). Durante o parto a doula fica à disposição todo o tempo necessário, o tempo que isso durar. Já acompanhei casos à jato, de 3 horas, e outros de 3 dias... tanto faz. Porém, no meu pensar, a 
doula nem sempre é necessária como presença física (se assim não for solicitado pela mulher), sua função é muito mais como a bengala, que fica ali, do lado, e pode ser acessada quando quiser... Nosso apoio não é exatamente fazer alguma coisa, muito pelo contrário, é dar suporte para que a própria mulher faça, do seu jeito, do seu tempo, no seu ritmo. É acreditar que a mulher até consegue caminhar sozinha, incentivá-la a dar uns passinhos e estimulá-la a encontrar sua força interna.
Ser doula é estar aberta ao novo e ao desconhecido. Cada parto é um. Cada parto traz sua magia, sua energia e seu desconhecido. Estar aberta a isso é o grande desafio.


Gratidão às mulheres e homens que me escolheram para estar presente num momento tão especial e único em suas vidas. Aprendi muito com cada um e carrego em mim a lembrança viva de cada vida que vi chegar... Me sinto honrada de pensar, trabalhar e ver nascimentos. Nada é mais emocionante que a chegada de um novo ser nessa vida, presenciar um corpo e uma alma sair de um outro corpo e uma outra alma, sentir a vida assim tão intensa e potente. 

Eu e Juliana (foto de José Neto Fotografia Criativa)

sábado, 22 de novembro de 2014

Encantos do corpo e da alma


Um mergulho na história de outras mulheres
Um convite de imersão para dentro de mim mesma
Falar e sentir a verdade
Desnudar a nossa alma
Eis que um grande abraço se formou





Um círculo em uma mandala
Árvores tortuosas e frondosas
Sinfonia de cigarras e
Morcegos assustadores
Eis que uma tribo se formou
                                                                                        


Uma história de dor   
Outra história de dor
Algumas histórias de dor
Sentir e reconhecer a dor
Eis que um grande colo se formou






                                                
Um grupo cheio de vida         
Uma não! Duas cachoeiras
Água que flui e que limpa
Permissão para ser
Eis que a liberdade se formou







Uma fogueira imensa
Cajados e salamandras
A guerreira e o olhar
Reconhecer o outro que nos habita
Eis que uma força se formou




Um grupo de mulheres                           Um encontro anscestral
Mães, guerreiras, geradoras e protetoras
Dança, canto, sorriso
Eis que uma roda se formou



                                         
              

Uma mulher guia
Muitas mulheres vivas
Tempo de se reconhecer, 
se abrir e se entregar
Terra, fogo, água e ar
Eis que um espelho se formou

Gratidão ao Universo por esse Encontro!


(Sentimentos ainda ecoando da Imersão com a Naoli Vinaver: Encantos do corpo e da alma: o poder do feminino, realizada de 07 a 09 de novembro em Uberlândia- MG)
Crédito das fotos: Kelly Mamede, Gi do Prado, Maria Rosa (amigas e doulas especiais!)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O SUS que quer dar certo: a Humanização do Parto em Uberlândia

Hoje resolvi registrar aqui uma atividade realizada há menos de 3 meses no Hospital Municipal e que faz parte de uma série de ações que estão sendo realizadas pela Secretaria de Saúde de Uberlândia afim de promover a reflexão e melhorar a assistência obstétrica nos vários pontos da rede que acompanham a mulher e sua família durante à gestação, parto e pós-parto....
Muita coisa ainda para melhorar mas gostaria de deixar registrado também a parte boa da história em nossa cidade....
Desde o início do ano que eu assumi a função de Apoiadora da Humanização do Parto e Nascimento no SUS de Uberlândia e tenho visto muito interesse e envolvimento dos profissionais no assunto.
O Hospital Municipal tem feito um trabalho bem interessante no que diz respeito ao incentivo ao parto normal com menos intervenções e também tem acolhido com carinho tudo que é proposto em relação à Humanização...
Aqui só um exemplo de várias outras atividades e encontros realizados (o texto foi escrito na época)

SOBRE O EVENTO DE HUMANIZAÇÃO DO PARTO E NASCIMENTO REALIZADO NO HOSPITAL MUNICIPAL

            Sexta-feira passada, dia 01/08/2014, pela manhã, realizamos uma Roda de Conversa sobre “Recursos não farmacológicos de alívio da dor durante o trabalho de parto”, no Hospital Municipal, para profissionais da saúde de dois pontos cruciais da Rede SUS: o próprio Hospital Municipal e a UAI Martins, Unidade de Pronto Atendimento de referência para todas as gestantes da Rede.
        Foram nove palestrantes, sendo duas (eu e a Dra Bárbara, coordenadora da Saúde da Mulher) convidadas para contextualizar a realidade atual de nossa Rede e os(as) demais (2 médicas, 1 médico, 2 psicólogas, 1 enfermeira obstetra e 1 arte-educadora e eutonista) como apresentadores(as) de recursos e técnicas possíveis de serem utilizadas de forma substitutível ou complementar aos recursos farmacológicos.
·         Método Lamaze (Marília Celeste Matos Druczkoski – Médica ginecologista, homeopata, acupunturista e instrutora de yoga de Irati (PR)
·         O papel da doula e do acompanhante (Maria Augusta Silvestre de Melo – Psicóloga, mestre em Ciências da Comunicação, estudiosa do processo de gestação e nascimento há mais de 20 anos)
·         Hipnoterapia (Livia Silva Alvarenga Behnke – Psicóloga, hipnoterapeuta, doula e apoiadora da mulher)
·         Acupuntura e Moxa (Walid Makin Fahmy – Médico ginecologista e obstetra, acupunturista, coordenador da Obstetrícia do Hospital Municipal de Uberlândia)
·         Medicina Antroposófica (Tania Helena Alvares – Médica mestre em Nefrologia com formação ampliada pela Medicina Antroposófica, fundadora do Instituto Ajnar e médica do Núcleo de Práticas Integrativas da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia)
·         Eutonia (Fernanda Bevilaqua – Diretora artística do UAI Q Dança, pedagoga, especialista em Arte Educação, eutonista e cadeísta GDS)
·         Recursos atualmente disponíveis no Hospital Municipal (Luana Rodrigues Ferreira Silva – Enfermeira obstetra do Hospital Municipal de Uberlândia, mestre em Ciências da Saúde, Apoiadora do Programa de Qualificação da Assistência Perinatal de Minas Gerais



        É com emoção e gratidão que comunico que o auditório estava lotado, com mais de 55 participantes (20 médicos, 28 enfermeiros e técnicos de enfermagem e 7 de outras categorias profissionais, dentre psicólogos, assistentes sociais e doulas). O que demonstra abertura, interesse e envolvimento da Rede com o assunto.
        E a cada palestrante, mais emoção eu sentia. A gente, no coração de um grande hospital, falando de um outro modelo de saúde e de assistência, que compreende o humano (no caso mais específico, a mulher) como um ser bio, psico, social e espiritual e o acolhe como tal. Pensando no trabalho de parto como um processo natural e saudável e consequentemente a “dor” como algo que diz sobre o processo e que, portanto, necessita ser considerado... “afinal, qual o problema de sentir dor?”, “e a dor não é só física, é dor da alma”, “pontos energéticos, toque, olhar...”, “saber a história  que cada um traz”, “evidências científicas”, “acolhimento, respeito, silêncio”, foram sentimentos e palavras que circularam pelo discurso de cada um e de todos...  Um momento de encontro, de reconhecimento e de aprendizado.
        Falar de humanização é falar de todos os envolvidos, é focar nas necessidades dos indivíduos e oferecer condições de uma vivência dos processos (saúde, doença, vida) de forma mais autônoma, pessoal e respeitosa. No final, os participantes puderam questionar, falar, se expressar... Fica evidente a necessidade de fala e de comunicação que nós, profissionais, carecemos. Que possamos nos encontrar mais, nos acolher e buscar soluções para os desafios. Obrigada, de coração aos que doaram seu tempo para esse encontro. E para os palestrantes, que doaram além de seu tempo, suas experiências e paixões, um grande e apertado abraço na alma. Vocês fazem a diferença no Mundo! Nos encontramos novamente, em breve!

     Alessandra Araújo
Apoiadora de Humanização do Parto e Nascimento

Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia