quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Agora é LEI: A favor das Mulheres (e doulas) e contra a Violência Obstétrica!!!

Agora é oficial. O nosso prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado, sancionou as duas Leis em apoio à Humanização do Parto e Nascimento!!! Uma conquista histórica em nossa cidade, fruto de um movimento de profissionais, mulheres e homens engajados com a humanização, que vem ao longo desse tempo, construindo uma nova história de assistência à mulheres e bebês nesse momento tão especial e sagrado que é o nascimento.
As Leis que reforçam e garantem segurança, apoio, respeito e boas práticas profissionais no momento do parto foram sancionadas ontem, dia 24 de novembro de 2015 e publicadas no Diário Oficial do Município. São elas:

LEI Nº 12.314, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2015, sobre a liberação da entrada de doulas nos Hospitais (ver abaixo o texto na íntegra))

LEI Nº 12.315, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2015, sobre Violência Obstétrica  (ver abaixo o texto na íntegra))

Um ano atrás, um grande hospital particular de nossa cidade fechou suas portas para as médicas e mulheres que desejavam um parto mais natural e menos violento e desde então, também proibiu a entrada de doulas (aqui o post da época). Um hospital que tinha muito potencial para ser exemplo e modelo... O movimento, sempre de forma respeitosa, traçou novos caminhos, novas configurações, novos espaços... sobrevivemos e nos fortalecemos... Esse é um caminho apoiado pela Organização Mundial de Saúde, pelo Ministério da Saúde, pela Medicina Baseada em Evidências Científicas.
Uberlândia, apesar do vergonhoso índice de cesarianas desnecessárias, com 85% de nascimentos via cesariana, vem se destacando com projetos e mudanças rápidas no modelo de assistência. O Hospital Municipal é um exemplo disso, em pouco tempo, suas altas taxas de cesariana foram se transformando (de mais de 70% para menos de 40%), assim como toda a forma de acompanhar e conduzir os partos... Ainda temos uma longa caminhada e MUITA coisa precisa melhorar, mas precisamos comemorar e destacar as conquistas também!!! Semana passada também fiquei sabendo que um outro hospital particular, finalmente construiu uma sala de pré-parto, equipada com chuveiro, bola, banqueta e num espaço mais protegido e íntimo,,,, logo, logo, devo conhecer e se for verdade, compartilhar essa boa nova com todo mundo. É isso que precisamos, defendemos e desejamos: hospitais, médicas e médicos, enfermeiras, doulas... todos juntos e apoiando e oferecendo as melhores condições emocionais, fisiológicas e tecnológicas para as famílias e bebês. Não somos contra nenhuma categoria profissional ou via de nascimento, só queremos que as mulheres sejam consideradas sujeitos ativos desse momento, que tenham autonomia e respeito e muito amor e segurança também!

Foto: José Neto Fotografia Criativa


Dedico e agradeço essa conquista a muitos,

Prefeito Gilmar Machado, gratidão, pela sabedoria e apoio.

Vereador, Adriano Zago, e toda Câmara Municipal de Uberlândia , admiração e respeito, pela coragem e comprometimento com a causa.

Companheiras do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, reverência, pelo tempo e dedicação na defesa dos direitos das mulheres.

Amigas e Amigos Profissionais do Movimento de Humanização do Parto e Nascimento, lágrimas doces, pelo reconhecimento do árduo trabalho de cada um.

Mulheres e Homens que me escolheram para estar presente no momento da chegada de seus filhos no mundo, pura emoção e silêncio, porque é indescritível a honra que sinto por ter estado presente nesso momento. Todos gravados eternamente em meu coração!

Kelly, Silvia, Luanda, Luana, Ana Paula, Raquel, abraços e gargalhadas, vocês são minhas musas inspiradoras e companheiras de batons e partos.

Nilton e Júlia, dívida e admiração eterna, pelos caminhos desbravados arduamente na construção de um SUS para todos!

Impossível nomear todos e todas, a ideia não é excluir e sim incluir!!! Nos sintamos todos representados. A conquista é para todo mundo!

Segue aqui o link para o Diário Oficial do Município e abaixo a cópia das duas Leis:


LEI Nº 12.314, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2015

DISPÕE QUE MATERNIDADES, CASAS DE PARTO E ESTABELECIMENTOS HOSPITALARES CONGÊNERES, DA REDE PÚBLICA E PRIVADA DE UBERLÂNDIA FICAM OBRIGADOS A PERMITIR A PRESENÇA DE DOULAS DURANTE TODO O PERÍODO DE TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS-PARTO IMEDIATO, SEMPRE QUE SOLICITADAS PELA PARTURIENTE.

O PREFEITO MUNICIPAL, 

Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Diário Oficial do Município 6 Nº 4776, terça-feira, 24 de novembro de 2015 

Art. 1º É direito de toda gestante ou parturiente interessada, sempre que solicitado, ser acompanhada por doula durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, em estabelecimentos no Município de Uberlândia, nos quais se realizam parto e serviços correlatos, pré e pós parto. 

§ 1º O direito a que trata o caput deste artigo compreende o acesso e acompanhamento dos respectivos procedimentos pela doula, independentemente do exercício do direito a acompanhante, instituído pela Lei Nacional nº 11.108, de 7 de abril de 2005, e legislação municipal correlata, para fins de realização de suas atividades profissionais terapêuticas. 

§ 2º Para os efeitos desta Lei e em conformidade com a qualificação da Classificação Brasileira de Ocupações - CBO, código 3221-35, considera-se doula a acompanhante de parto escolhida livremente pela gestante ou parturiente, que visa prestar suporte contínuo à gestante no ciclo gravídico puerperal, favorecendo a evolução do parto e bem-estar da gestante, com certificação ocupacional em curso para essa finalidade. 

§ 3º A contraprestação pelo serviço prestado pela doula é de responsabilidade exclusiva da gestante ou parturiente interessada. 

Art. 2º É vedada cobrança de valor adicional vinculado à presença de doula durante o período de internação da parturiente. 

Art. 3º A doula, para o regular exercício da profissão, poderá portar seus respectivos instrumentos de trabalho, condizentes com as normas de segurança e conforto de pacientes no ambiente hospitalar, dentre os quais:
 I – bola de exercício físico produzida com material elástico macio; 
II – bolas de borracha; 
III – bolsa de água quente;
IV – óleos e instrumentos para massagens; 
V – banqueta auxiliar para parto; 
VI – equipamentos sonoros; 
VII – demais materiais utilizados no acompanhamento do período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. 

Art. 4º É vedado à doula a realização de quaisquer procedimentos médicos ou clínicos, ainda que esteja legalmente habilitada a fazê-los. 

Art. 5º A infração à esta lei ensejará:
 I – se estabelecimento privado, as sanções prevista na Lei Nacional nº 8.078/1990, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor; 
II – se órgão público, a imediata instauração de procedimento administrativo disciplinar pelo órgão competente, nos termos da legislação de regência. 

Art. 6º A ausência de decreto regulamentador a esta lei não suspende os direitos por ela garantidos.

Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 

Uberlândia, 23 de novembro de 2015. 
Gilmar Machado Prefeito 
Autores do Projeto: Adriano Zago e Gláucia da Saúde  
DTL/mfjm/bbfr/PGMNº 11809/2015.

LEI Nº 12.315, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2015. 

DISPÕE SOBRE A IMPLANTAÇÃO DE MEDIDAS DE INFORMAÇÃO À GESTANTE E PARTURIENTE SOBRE A POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO OBSTÉTRICA E NEONATAL, VISANDO, PRINCIPALMENTE, A PROTEÇÃO DESTAS CONTRA A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA. 

O PREFEITO MUNICIPAL, 

Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 

Art. 1º A presente Lei tem por objeto a divulgação, no Município de Uberlândia, da Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal, visando, principalmente, a proteção das gestantes e das parturientes contra a violência obstétrica. 

Art. 2º Considera-se violência obstétrica todo ato praticado pelo médico ou pela equipe do hospital, que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda, no período de puerpério. 

Art. 3º Para efeitos da presente Lei considerar-se-á ofensa verbal ou física, dentre outras, as seguintes condutas: 
I - tratar a gestante ou parturiente de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer outra forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido; 
II - fazer graça ou recriminar a parturiente por qualquer comportamento como gritar, chorar, ter medo, vergonha ou dúvidas; 
III - fazer graça ou recriminar a mulher por qualquer característica ou ato físico como, por exemplo, obesidade, pelos, estrias, evacuação e outros; 
IV - não ouvir as queixas e dúvidas da mulher internada e em trabalho de parto; 
V - tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz; 
VI - fazer a gestante ou parturiente acreditar que precisa de uma cesariana quando esta não se faz necessária, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados e sem a devida explicação dos riscos que alcançam ela e o bebê; 
VII - recusar atendimento de parto, haja vista este ser uma emergência médica; 
VIII - promover a transferência da internação da gestante ou parturiente sem a análise e a confirmação prévia de haver vaga e garantia de atendimento, bem como tempo suficiente para que esta chegue ao local; 
IX - impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato; 
X - impedir a mulher de se comunicar com o “mundo exterior”, tirando-lhe a liberdade de telefonar, fazer uso de aparelho celular, caminhar até a sala de espera, conversar com familiares e com seu acompanhante; 
XI - submeter a mulher a procedimentos dolorosos, desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, exame de toque por mais de um profissional; 
XII - deixar de oferecer recursos de alívio da dor, farmacológicos e não farmacológicos, inclusive analgesia/anestesia na parturiente quando esta assim o requerer; 
XIII - proceder a episiotomia quando esta não é realmente imprescindível; 
XIV - manter algemadas as detentas em trabalho de parto; Diário Oficial do Município 8 Nº 4776, terça-feira, 24 de novembro de 2015 
XV - fazer qualquer procedimento sem, previamente, pedir permissão ou explicar, com palavras simples, a necessidade do que está sendo oferecido ou recomendado; 
XVI - após o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, demorar injustificadamente para acomodar a mulher no quarto; 
XVII - submeter a mulher e/ou o bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes; XVIII - submeter o bebê saudável a aspiração de rotina, injeções ou procedimentos na primeira hora de vida, sem que antes tenha sido colocado em contato pele a pele com a mãe e de ter tido a chance de mamar; 
XIX - retirar da mulher, depois do parto, o direito de ter o bebê ao seu lado no Alojamento Conjunto e de amamentar em livre demanda, salvo se um deles, ou ambos necessitarem de cuidados especiais; XX - não informar a mulher, com mais de 25 (vinte e cinco) anos ou com mais de 02 (dois) filhos sobre seu direito à realização de ligadura nas trompas gratuitamente nos hospitais públicos e conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS);
XXI - tratar o pai do bebê como visita e obstar seu livre acesso para acompanhar a parturiente e o bebê a qualquer hora do dia. 

Art. 4º Os estabelecimentos hospitalares deverão expor cartazes informativos contendo as condutas elencadas nos incisos I a XXI do artigo 3º.

§ 1º Equiparam-se aos estabelecimentos hospitalares, para os efeitos desta Lei, os postos de saúde, as unidades básicas de saúde e os consultórios médicos especializados no atendimento da saúde da mulher. 
§ 2º Os cartazes devem informar, ainda, os órgãos e trâmites para a denúncia nos casos de violência, quais sejam, as referidas nas seguintes alíneas:
 a) exigir, às suas expensas, cópia do prontuário da gestante e da parturiente no hospital, que deve ser entregue sem questionamentos e custos; 
b) que a gestante ou parturiente escreva uma carta contando em detalhes que tipo de violência sofreu e como se sentiu; 
c) se o seu parto foi no Sistema Único de Saúde - SUS, envie a carta para a Ouvidoria do Hospital com cópia para a Diretoria Clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde, Ministério Público e Delegacia da Mulher; 
d) se o seu parto foi em hospital da rede privada, envie a carta para a Diretora Clínica do Hospital, com cópia para a Diretoria do seu Plano de Saúde, ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, Ministério Público e Delegacia da Mulher; 
e) consulte um advogado para as outras instâncias de denúncia, dependendo da gravidade da violência recebida; 
f) ligue para a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 (Decreto nº 7.393, de 15 de dezembro de 2.010). 

Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 

Uberlândia, 23 de novembro de 2015. 
Gilmar Machado Prefeito 
Autor do Projeto: Vereador Adriano Zago




quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Projetos de Lei aprovados em Uberlândia

Meu coração está em festa. Meus olhos estão cheios d`água. É tão bonito sentir a história em nossa pele, sentir parte e poder juntas (no feminino porque sei que os homens que estão juntos também reverenciam e honram seu lado feminino) com-partilhar essa História.

Essa semana foram apresentados e votados dois Projetos de Lei na Câmara Municipal de Uberlândia relacionados à melhoria da assistência obstétrica em nossa cidade e contra a violência e o desrespeito nesse momento tão sagrado na Vida de qualquer ser humano. Dois projetos propostos e abraçados pelo vereador Adriano Zaggo, que entendeu e se tornou um grande defensor da nossa causa.

Um dos projetos é para a divulgação e produção de material informativo sobre violência obstétrica, com o intuito de informar às mulheres e seus acompanhantes sobre seus direitos no momento da gestação e parto e sobre procedimentos desnecessários e desrespeitosos que as mulheres não merecem passar durante o parto.

O outro projeto é a autorização da entrada de doulas em todos os hospitais se assim a mulher gestante o desejar para contribuir para o bem-estar apoio e segurança da mulher nesse momento tão importante de sua Vida.

E ambos os projetos foram aprovados por unanimidade nos dois turnos de votação.

Foi muito bonito ver os nossos e as nossas representantes do legislativo defendendo esse projeto. Muita gratidão a esses representantes por contribuírem com essa causa tão importante para todas nós.

Mas gostaria também de ressaltar que a nossa presença lá fez a diferença. O Nilton (médico sanitarista, professor da saúde coletiva na Faculdade de Medicina da UFU e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e pai de duas filhas) e a Kelly (bacharel em direito, doula, coordenadora do Projeto FloreSer Parto e Crias e mãe de três filhos) tiveram voz na plenária e defenderam brilhantemente nosso ideal de Humanização. Gratidão ao dois e ao grupo que conseguiu se organizar para marcar presença no primeiro dia de votação.


Já no segundo dia de votação, foi lindo ver o nosso grupo se mobilizando para marcar presença de forma amorosa e coletiva. Em silêncio e carregando algumas fotos de mulheres de Uberlândia parindo de forma respeitosa e amorosa, sensibilizamos mais ainda todos os presentes.

Penso que esse é mais um resultado de uma história amorosa, competente e muito comprometida que vem sendo construída por mulheres, homens e profissionais dedicados ao longo de muito tempo. Uma história de amor e perseverança. Um momento histórico, dentre vários outros que vamos construindo com a nossa caminhada.

Agora falta só a aprovação do Prefeito... Talvez esse seja o momento da gente se unir e mostrar o que desejamos para nós e nossos filhos nesse momento tão único de nossas vidas: respeito, segurança, liberdade, intimidade e amparo com assistência baseada nas mais recentes e atuais evidências científicas!

Mais uma vez, gratidão ao Adriano Zago e sua equipe (que abraçou essa causa), ao Nilton e a Kelly (que nos representaram tão bem), às companheiras da Superintendência da Mulher e do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres que se fizeram presentes nesse e em todos os outros momentos de luta em defesa das mulheres de nossa cidade, às amiga e aos amigos, médicas, médicos, doulas e enfermeiras obstetras, que todos os dias realizam amorosamente sua missão de acompanhar as mulheres, suas famílias e seus bebês nesse momento de chegada ao Mundo, e a todas as mulheres que acreditam em sua força, sua potência e poder de criação de um mundo melhor e mais amoroso.


Segue abaixo o link do site do vereador explicando um pouco mais sobre cada um dos projetos aprovados:

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Meu coração sangrou

Essa semana meu coração doeu algumas vezes... tem a ver com a época do mês, pois minha menstruação me faz sentir o mundo de outro jeito, assim mais conectada com o coração (não é tensão, é amor mesmo).
Meu coração doeu pelos outros e outras que eu nem conheço. Doeu pelo desamparo de crianças dentro de escolas
Doeu pelo sistema educacional opressor (para alunos e professores)
E SANGROU ao saber de mais uma morte violenta de uma mulher em minha cidade, Veridiana!
Uma dor profunda no peito
Uma sensação de falta de colo
Vontade de ficar quieta (ou seria sentimento de impotência?)
A minha cura vem aos poucos, ao me alimentar de sentimentos, momentos e lembranças boas... me conectar com sentimentos bons de amor, paz, perdão... me alinhar com os Mundos Superiores e com a Terra, me sentindo parte integrada do Universo... me permitir estar presente ao lado dos meus filhos, ouvindo suas histórias, curtindo suas gargalhadas ou amparando seus medos...
E no meio disso, a lembrança de um dia, de um Homem, de uma música...
Sim, um Homem, que vem para curar meu feminino, minha dor, meu medo.
Que também acredita em uma educação amorosa, acolhedora e protetora. Que me reforçou a ideia de que uma criança em crise ("birra") merece toda o nosso amparo, nossa presença amorosa e, se possível, um abraço.
Que reverencia o feminino e o defende.
Que é masculino sem ser machista.
Hoje eu desejo CALMA para nós, humanos...
Compartilho uma música cantada por Alexandre Coimbra Amaral, um Psicologo que me inspira profissionalmente e que é um exemplar de Homem, com um discurso amoroso e respeitoso e super defensor de causas tão nobres a nós, Mulheres. Ele tem se revelado também um ótimo cantor e esse vídeo eu gravei no encerramento de um curso ministrado por ele aqui em Uberlândia sobre criação com apego. É na delicadeza de sua voz que eu termino em paz essa semana.
Ah! E ainda com a presença iluminada dessa criança encantada que é o Ulisses, seu sorriso preenche minha alma Sabrina Souza e André Morato Dias Cardeal.




terça-feira, 29 de setembro de 2015

Video de Parto: Nascimento do Caio

O relato de parto eu já tinha feito nesse post aqui.

Hoje compartilho o vídeo do meu registro desse dia tão especial.... E a doula se aventura a ser fotógrafa e agora editora de vídeo.... Mas é que eu queria mesmo que todo o Mundo pudesse entender a magia e a honra que é poder presenciar um trabalho de parto e um nascimento... Não é fácil, nem tudo são flores... mas é tão belo!!! Ver o poder da mulher... suas fisionomias, seus sons, seus corpo se abrindo... entender o momento do medo, da insegurança e também poder sentir o movimento da vida que empurra, que dá força, que não para....
Orgulho demais da minha cunhada e do meu irmão. E apaixonada pelo meu novo sobrinho!

Com vocês, o nascimento do Caio (sob o meu olhar)


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Rápido e suave como um beija-flor: sobre um parto express

Eu senti a força da Mãe-Terra
Erupção vulcânica explosiva*
Um corpo pronto para se romper
que não resiste a se abrir

Uma mulher e um homem
Uma tremenda revolução
No processo se transformando em pai e mãe
Muita preparação
Malhação e envolvimento emocional
De um extremo a outro
Da certeza de uma cesária agendada antes de engravidar
Ao desejo de parir em casa no final da gestação

Confiança...

Relato da Doula Coruja

Primípara, gestação de baixo risco sem intercorrências, 39 semanas e 5 dias, cunhada da doula

Mãe sem sintomas, passeou e farreou um dia inteiro
Foi dormir, acordou, se preparou para sair para almoçar
Vontade de ir ao banheiro: uma pequena cólica
12:00 - constatada saída do tampão mucoso
Iniciam-se as cólicas
Equipe devidamente comunicada e tranquila ao imaginar um dia todo de fase latente
13:30 - a doula e também tia coruja chega toda prosa, levando marmita pro almoço, louca para curtir e comemorar com tranquilidade
OPS!!!! Cunhada agachada na sala, com cara de exausta e incomodada com a frequência das contrações: "Estão vindo muito rápidas... intervalo menor que 2 min..."
A doula (se achando experiente) pensa: vixe, deve estar ansiosa, deixa eu distraí-la que logo essas contrações se espaçam...
14:00 - doula escreve pra médica que pretendia aguardar um pouco para fazer a primeira avaliação: "acho melhor você vir dar uma olhadinha... realmente as contrações estão frequentes, venha só para acalmá-la.... "
14:15 - doula já ansiosa escrevendo pra médica: "uma atrás da outra, sem intervalo, corra!"
14:30 - Fomos pro chuveiro e eu já sentindo a expressão mudando, a respiração de quem tem (ou tenta segurar) a vontade de fazer força. Doula começa a meditar e se conectar com a energia superior caso precise amparar o sobrinho
15:00 - UFA!!! Médica chega com todo o material. Enfermeira obstetra a caminho
15:05 - Primeiro toque = bebê na vulva
15:50 - Bebê nos braços da mãe e do pai!


Equipe e pais se recuperando do tsunami de um parto "express"
Um bebê lindo, forte e doce
que chegou com a rapidez e suavidade de um raro beija-flor
Sim, cada parto é um novo livro,
uma nova história, uma nova emoção
Não existe fórmula, nem regra, nem controle
Mas se preparar e entender o processo
ajuda muito a lidar com o inesperado
Mãe e Pai estavam serenos
Apesar do susto da intensidade
A mãe, se permitindo viver o descontrole
Uma leoa aos olhos do marido
O pai, apoio firme e amoroso
Um guerreiro, aos olhos da irmã mais velha
A equipe, uma preciosidade
De uma paz, harmonia e firmeza indescritível
E a doula, honrada por sentir o calor da vida
do próprio sangue, em suas mãos
Por poder oferecer o colo, o apoio e o carinho
na primeira hora de vida
E talvez assim,
curar um pouco mais de sua própria ferida
Gratidão ao Universo

(O pós-parto vale um outro relato - eu, tia, o estou vivendo intensamente ao lado dos pais e gostaria de fazer uma reverência a todas as mulheres e homens que estão passando por esse momento tão intenso e transformador... e lembrá-los que ele passa, bem rápido!)


* Aprendi que existem dois tipos de erupções vulcânicas: as explosivas e as efusivas. As explosivas são liberadas de forma violenta, rápida e intensa. As efusiva, de forma lenta e gradual.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dicas para quem vai parir no SUS

Me pediram algumas dicas para uma mulher que já está no final da gestação, deseja um parto normal e vai ganhar seu bebê no SUS de Uberlândia.... Resolvi compartilhar pois talvez possa ajudar outras mulheres.

Vamos lá:

1 - Respire!!! Lenta e profundamente

Não é brincadeira.... a primeira dica para quem quer parir é sempre relaxar, sentir seu corpo, confiar e estar conectada com o que acontece... Então respirar faz toda a diferença mesmo antes de entrar em trabalho de parto, pq os bebês não têm data certa para nascer e não existe um prazo de validade... a data provavel de parto que os médicos anotam no cartão da gestante é só uma data de referencia, que é calculada com base nas 40 semanas. Mas os bebês podem nascer antes e depois!!! E isso não quer dizer que está passando da hora não, entender isso é fundamental e daí a necessidade de relaxar para diminuir a ansiedade se "passar da data".

Começaram as contrações???  Toda vez que vier uma contração tente respirar profundamente, puxando o ar pelo nariz até sentir ele chegando "no pé da barriga" e depois vai soltando lentamente o ar... o corpo precisa relaxar para deixar a contração trabalhar e abrir o corpo para a passagem do bebê...
Tem uma visualização que ajuda a lembrar desse tipo de respiração que é: "Cheira a florzinha (inspiração) e sopra a velinha (expiração). Imagine vc cheirando uma flor enquanto inspira e soprando uma vela enquanto expira"...
E lembre-se!!! A contração é algo importante e fundamental para o processo e não tem como fugir dela, então o melhor é aceitá-la e buscar a melhor posição para passar por ela.

2 - Não corra apavorada

Quando as contrações começarem não precisa correr pro Hospital (no caso aqui de Uberlândia, para a UAI). As contrações começam numa intensidade e vão diminuindo seu intervalo seu tempo entre uma e outra aos poucos. Se o intervalo entre uma e outra estiver maior que 10 minutos, nada de correr... elas ainda precisam se ritmar mais... mas se já tiver vindo num intervalo regular menor que 10 minutos daí é a hora de ir para a UAI avaliar e daí a equipe avaliar se já é hora de encaminhar para o Hospital (o protocolo da rede é que a gestante só vá para o Hospital com pelo menos 4 cm de dilatação, pq antes disso ainda é considerado uma fase preparatória do trabalho de parto e se for muito cedo para o Hospital a chance de acabar caminhando para uma cesaria ou receber intervenções desnecessárias aumenta muito)
Agora se antes disso, a bolsa romper, ou tiver sangramento de cor viva, daí a indicação é realmente procurar o atendimento médico independente da intensidade e tempo de contração! Para uma melhor avaliação.

3 - O tempo não é o inimigo

Nascimentos rápidos ou à jatos são bem raros, o normal é demorar um booooooom tempo. Então prepare-se e prepare a família para isso. Nada de ficar colocando caramilholas na cabeça de que os médicos estão esperando mais tempo do que precisa e que o bebê vai entrar em sofrimento por causa disso. Cada mulher precisa de um tempo diferente para se abrir para seu filho e o bebê também... durante o trabalho de parto, o bebê também faz seu processo e também precisa de tempo para achar o seu caminho para sair... e alguns bebês precisam de mais tempo que outros... afinal não é fácil sair do conforto e proteção do útero e começar uma vida aqui fora... os bebês fazem uma verdadeira dança dentro do útero para se despedir desse ambiente que tanto tempo o acolheu. Se você estiver no hospital e os médicos de tempo em tempo estiverem escutando o coraçãozinho do bebê e confirmando que está tudo bem com ele, então paciência... acredite no seu corpo e respeite o tempo do bebê. Se o coraçãozinho do Bebê estiver bem, ele pode ficar o tempo que for necessário aí dentro, sem preocupação...

4 - Movimente-se

Se o bebê dança dentro do ventre, a mulher também deve dançar!!! Movimentar o corpo, caminhar, rebolar, soltar o quadril, agachar, sentar na bola de pilates, tudo isso ajuda e muito o processo... tanto para dilatar mais rápido quanto para aliviar as dores durante as contrações.
Outros recursos que ajudam bastante ésão a massagem e o banho no chuveiro. A àgua morna no corpo é um dos melhores remédios para a dor! E o Hospital Municipal de Uberlândia oferece todos esses recursos!
A pior posição, a que mais dói e atrapalha o processo é deitada de barriga pra cima, então o jeito é se movimentar... Mas é bom também alternar alguns momentos de descanso e relaxamento, daí tente deitar de lado, ou levantar a cabeceira da cama e ficar mais "sentada".




5 - Beba líquidos

"Saco vazio não para em pé". Se vc não tiver nenhuma contra-indicação do médico, lembre-se de ingerir muito líquido e até se alimentar para ter força e energia. Sim, a mulher pode e deve se alimentar durante o trabalho de parto e a água é fundamental!

6 - Escolha a posição mais confortável para o seu filho nascer

Vc não precisa ficar deitada e nem com as pernas na perneira para o bebê nascer. Aliás, as posições verticais são mais indicadas porque a gravidade ajuda e é menos risco de ter alguma laceração no períneo (músculo da vagina)... e nada de pedir para o médico ajudar dando o "pic"... muito pelo contrário, se o bebê estiver bem, não deixem que os médicos te cortem sem necessidade. Já foi comprovado cientificamente que a episiotomia ("pic") não tem nenhum benefício e é prejudicial para a recuperação materna. Ela só deve ser realizada em casos muito específicos,
No Hospital Municipal o bebê pode nascer no pre-parto se estiver tudo bem, mas mesmo se for no centro cirurgico, você pode escolher a posição.
Existe até uma banqueta de parto que pode ser utilizada nesse momento.





7 - Pegue o seu filho no colo

Assim que ele nascer, pegue o seu filho. Abrace, beije, converse com ele. Não permita que ele seja retirado de perto de você. O pediatra pode avaliá-lo em seu braço e se ele estiver bem, o melhor lugar para ele ficar nesses primeiros momentos é em seu colo... É o seu cheiro, a sua voz, o seu calor que ele reconhece e que vai acalmá-lo... deixe ele ficar próximo do seu peito e veja se ele quer mamar. Amamentar na primeira hora de vida é recomendação do Ministério da Saúde e pode contribuir e muito para o melhor estabelecimento de vínculo entre mãe e filho. Pesar, limpar, dar vacina... tudo pode ser feito com calma, num segundo momento e nada é mais importante do que esse vínculo nessa hora.
É claro que em casos que o bebê não nasce bem, ele pode precisar de alguma intervenção e nesse caso o pediatra vai lhe informar sobre isso. Mas esses são a minoria dos casos e daí sim o bebê talvez precise ser afastado da mãe.


8 - Escolha bem seu ou sua acompanhante!

Toda mulher tem direito a um acompanhante de livre escolha durante todo o pré-parto, parto e pós-parto imediato. Você não precisa nem deve ficar sozinha em nenhum momento. Esse acompanhante é a pessoa que te conhece e pode curtir esse momento único de vida com você. Então ele também precisa estar preparado e acreditar naquilo que você deseja. Se você quer um parto normal e respeitoso, esse acompanhante tem que saber disso e entender um pouquinho de como tudo acontece para ele poder te dar o apoio necessário. Esse acompanhante tem que acreditar na sua capacidade e te dar força para enfrentar o processo, porque se ele tiver muito medo ou ficar com muita dó, ao invés de ajudar, ele pode é te atrapalhar...  Então converse antes e deixe claro o que você deseja para o parto.

No mais, acredite em você, no seu corpo, na sua capacidade de gerar. SEU CORPO É SÁBIO E VOCÊ E SEU BEBÊ MERECEM VIVER ESSE MOMENTO DE FORMA RESPEITOSA E AMOROSA.

AH! Última dica! Se ainda der tempo, visite o Hospital Municipal antes do parto, para conhecer a estrutura e o processo de lá. O Hospital tem um dia de visita organizada justamente para isso. Basta ligar lá e agendar com a equipe. Isso ajuda e muito, para que no dia do parto você não se sinta num local totalmente estranho e também para lhe dar mais tranquilidade.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sobre criança, cozinha e disponibilidade...

Hoje minha filha me pediu para cozinharmos... isso não é um fato muito raro mas tb não é cotidiano. Esse seu interesse (e o nosso), pela cozinha, vem e vai... Acho que já até escrevi sobre isso. O fato é que aqui em casa, quando é de nosso interesse, vamos todos cozinhar e, por sorte, eu e meu marido aprendemos cedo que convidar uma criança para cozinhar junto requer um tantão de disponibilidade e paciência... Sim, porque aquilo que se faria em 5 min, se faz em 20... Porque se a gente já costuma esparrar sem querer um pouco de farinha pela bancada, com criança, a bagunça é um pouco maior. E porque nem sempre a nossa expectativa corresponde ao desejo da criança... e a gente se frusta e a criança tb... Por aqui a gente vai tentando se equilibrar, entre a disponibilidade e a necessidade, entre o prazer e a pressa, entre a vontade e a preguiça.




Mas, no caso da Luana, seu interesse também tem sido pelo registro desse momento, em forma de vídeo que possa ser compartilhado "para toda Uberlândia". Essa semana ela viu um desenho da Moranguinho sobre um programa de culinária. Além disso, seu irmão tem tentado gravar seus próprios videos de video game, acho que deve ser por onde ela me informou que "a gente precisaria de um canal para compartilhar o video"...
Minha filha tem 5 anos e é bem determinada no que gosta e quer fazer. Portanto compartilho abaixo seu video dessa semana (não é o primeiro que fazemos, ontem mesmo testamos outro, mas foi o que ela decidiu compartilhar...).

Muitas reflexões sobre esse processo, mas para mim, o que fica de mais intenso, é a alegria e a honra de compartilhar com ela esse momento, ao vivo e a cores. Durante o processo, ela mesma se depara com o fato de eu a estar ajudando em plena quinta-feira e se questiona, mas quinta não é dia de trabalho??? Ela está em processo de aquisição da noção do tempo semanal e mensal.... adora olhar na folhinha o dia do mês, e contar quantos dias faltam para determinado acontecimento...

Eu trabalho dentro e fora, de mim e de casa, sempre trabalhei e adoro o meu trabalho. Mas desde que meus filhos nasceram, eles despertaram em mim um desejo enorme de ficar, de parar, de curtir... E eu, desde então, fui me remodelando...Cheguei a desejar mas nunca deixei de trabalhar fora. Com o tempo e o crescimento deles e minhas curas, fui redesenhando minha trajetória profissional e acho que atualmente estou num momento de intensa produção. Tenho pelo menos 3 focos (espaços) de trabalho - quem tem me acompanhado sabe que estou envolvida de corpo e alma em várias frentes e projetos importantíssimos relacionados à luta por uma assistência obstétrica de mais qualidade e respeito às mulheres em nossa cidade mas tão importante e precioso quanto é o tempo que crio para estar com meus filhos.

Filha, o tempo que eu dedico a vocês não é e nunca foi perda de tempo... parar em plena quinta-feira a tarde para cozinhar ao seu lado, é um trabalho maravilhoso e vale muito!!!  Fico feliz por me oportunizar isso e ainda me estimular mais a aprender sobre edição de video e coisa e tal. E é isso que venho aprendendo com a vida: quando a gente consegue integrar mais os nossos papeis e funções, o tempo e a ordem de tudo fluem com mais delicadeza... trabalho, vida, educação e filhos passam a compor um Universo um pouco mais coeso e menos compartimentado...

Com vocês, a pequena chef, Luana!


                                                         https://youtu.be/BrOugu3zwd8