segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pérola do meu filho, de 9 anos

Meu filho (agora com 9 anos) e suas pérolas antes de dormir.
Hoje, já deitado em sua cama:
" - Mãe, qual foi o dia mais feliz da sua vida?"
Eu, na hora pensei no dia do nascimento dele e na da minha filha, mas respondi que não era hora de conversar e que amanhã responderia
Daí ele ficou em silêncio 5 segundos e continuou:
"- O dia mais feliz da minha vida ainda não chegou... Porque eu ainda não tive filho"
Mãe não teve como não continuar o papo, com o coração cheio de amor...

terça-feira, 7 de junho de 2016

Um dia comum, cheio de emoções

Hoje estou só emoção...

Não sei identificar o motivo, talvez o recente aniversário dos meus filhos, talvez isso, de ser retomada pela imensidão de vida que eles acrescentaram a mim desde seus nascimentos... não sei, sei que meus olhos se encheram de lágrimas várias vezes hoje.

A primeira, de manhã, foi de ver a colaboração e conexão da minha família paterna, por uma conversa no grupo da família no whatsup, para juntos comprarem um televisão nova de presente para meu avô que irá completar 95 anos agora no final de junho. Ver todos se re-aproximando para essa comemoração, a primeira depois da morte da minha avó, me encheu de emoção...

A segunda, logo depois do almoço, ao selecionar fotos de vários momentos nossos com a avó do meu marido, para enviar por e-mail para uma prima para mais um presente coletivo que está sendo carinhosamente preparado pela família para a comemoração de 90 anos dela, que acontecerá agora nesse final de semana... Relembrar momentos de vida e pensar na reunião dessa grande família, me emocionou.

A terceira, no meio da tarde, ao receber um presente de uma "nova" amiga, depois de um bate-papo delicioso com ela. Um presente que ela trouxe de uma viagem e que é a minha cara!!!! Saber que ela se lembrou de mim lá e ainda trouxe algo especialmente para mim, me emocionou.

A quarta, na visita de final da tarde, para a minha avó materna, de 99 anos. Minha avó que anda bastante caladinha, deitada em sua cama de mãos dadas com as minhas, hoje estava boa de prosa. Se lembrou de minha infância e do quanto ajudou nos cuidados comigo e meus irmãos... fechou os olhos e disse estar me vendo menininha, sentada no chão da cozinha, com um prato de pepino, que eu adorava! Se lembrou dos vestinhos que a minha tia fazia para mim. Se lembrou que ela e minha outra tia, saiam todo dia, a andar de carrinho pelo quarteirão, um carrinho comigo e outro, com meu irmão, para que a gente passeasse e dormisse. E eu, emocionada, fique grata, por relembrar com ela o quanto ela foi útil, cuidadosa e amorosa comigo. Grata por ela se lembrar dela mesma, menos cansada e doída.

A quinta, agora a pouco, ao escrever para um grupo de parceiras de projetos, por mensagem no facebook. Uma emoção tomou conta de mim, por poder contar com elas, por reconhecer a importância e a grandeza de cada uma. Uma vontade enorme de encontrá-las para tomar um chá e, assim, emocionada, fiz o convite.

A sexta, um texto no face, que mais que emocionar, me fez chorar. A reflexão doída do não acolhimento da sociedade pela morte de uma criança. De me sentir responsável por essa negligencia e de sentir o abandono no corpo e na alma desse menino, com apenas um ano a mais que meu filho.

O dia ainda não acabou, o que será que ainda vai me emocionar?

foto da minha amiga linda Kelly Mamede

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sobre medo e riscos: quando o parto foge do prumo

Sim.... vou falar de um parto
Sem aquela sensação de estar em extâse e plenitude
Sim... vou falar de um parto
Com o coração apertado
Sim... vou falar

Que, às vezes, tudo sai do controle
Que nem sempre basta desejar, lutar, esperar
Que dói
(quase sempre no corpo)
Mas pode doer profundamente na alma

Que o portal da chegada
É o mesmo da partida
E que na passagem
Há um encontro
Dos avessos que se complementam                      
    
Parir é imenso
Parir é intenso
Parir transborda
Parir descontrola
e pode sair do trilho

Parir dói
(quase sempre no corpo)
Mas pode doer profundamente na alma

Um parto planejado
depois de muito esforço para mudar...
Mudar de médico, mudar as expectativas, mudar a cabeça e o coração
Toda uma vida para acreditar... em si

Um trabalho de parto tranquilo
Muito bem acompanhado
O tempo todo com equipe
Hospitar

No momento da separação
Tensão...
Um coraçãozinho desacelera
Pede ajuda para sair
Parado...

Nascer pode ser difícil
No corpo e na alma

Equipe atenta, alerta, rápida

Nascer é imenso
Nascer é intenso
Nascer transborda
Nascer descontrola
e pode sair do trilho

Não houve erro
Não houve culpa
Não houve falha
Houve a presença de um risco
Que sempre existe

Eu presenciei a força e a presença de uma mulher
Que junto com seu marido
Fizeram suas melhores escolhas
Uma mulher doce
Que se transformou em dona de si

Eu presenciei o silêncio angustiante
A dor da possibilidade da perda
O risco, na minha frente
E acreditei
no amor,
na imensidão,
no infinito

Eu presenciei a vontade de estar aqui
de um pequeno grande guerreiro
que iniciou sua batalha bem pequeno
e que se recupera e se fortalece
a cada dia

Viver é imenso
Viver é intenso
Viver transborda
Viver descontrola
e pode sair do trilho

Reverencio a dor dessa experiência
Reverencio essa família
Reverencio a equipe
Reverencio e escolha e creio que foi a melhor de todas




O Marco Legal da Primeira Infância e a Rede de Saúde: O começo da Vida

Ontem, dia 02 de junho de 2016, realizamos mais um encontro significativo na Rede de Saúde da Prefeitura Municipal de Saúde de Uberlândia. 



Convidamos os profissionais da Saúde para assistirmos o Documentário: O começo da Vida e depois um bate-papo com as representantes das várias Redes da Saúde que fazem interface com o assunto. Estivemos todas juntas: a Rede de Atenção à Saúde da Criança, a Rede de Atenção à Saúde da Mulher, A Rede de Atenção Psicossocial, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e a Atenção Básica, refletindo sobre o nosso papel frente a atenção à saúde na primeira infância e os novos desafios e propostas da Lei sancionada em março desse ano, que instaura o Marco Legal da Primeira Infância. Esse Marco está sendo considerado uma das mais modernas legislações do mundo sobre a promoção do desenvolvimento das crianças de 0 a 6 anos de idade.

Participaram mais de 168 pessoas da Rede, muitas das Unidades Básicas de Saúde (UBSF ou UBS) e dos Núcleos de Apoio (NASF) mas também representantes dos Hospitais (HCUFU e HMMU), da Escola Técnica de Enfermagem (ESTES), da Secretaria Regional de Saúde, dentre outros. Foi um momento de reflexão sobre nossa prática, sobre o que temos avançado e o que ainda precisamos melhorar, sobre nossas potências e fragilidades, sobre as relações que tecemos todos os dias e sobre as nossas crianças.

Sobre o Documentário, gostaria de compartilhar que ele é de uma riqueza infindável e merece ser assistido por todo mundo. Pois diz respeito ao que desejamos para a nossa Humanidade e sobre a importância de cuidarmos e investirmos nesse início da Vida se desejamos um Mundo melhor para todos. E é com alegria que eu digo que ele está disponível na programação da Netflix e também a produtora disponibiliza o link gratuitamente para quem desejar fazer exibições para mais de 5 pessoas em seu local de trabalho ou mesmo entre amigos. Vale muito e aqui está o site para quem desejar entrar em contato com eles.  http://ocomecodavida.com.br/

Sobre o Marco Legal da Primeira Infância, segue também um link, com mais informações sobre a Lei
http://primeirainfancia.org.br/tag/marco-legal/

Agradecimento especial à Diretoria de Gestão de Pessoas e Educação em Saúde, que sempre apoia e nos ajuda na divulgação e suporte no dia!!!!

Segue aqui algumas fotos desse encontro








quarta-feira, 6 de abril de 2016

De mim para mim mesma

Hoje é dia de honrar o feminino que habita em mim, todos os dias, há milhares de anos.
Hoje é dia de reverenciar o sagrado feminino.
Dia de festejar, agradecer e contemplar.
Dia de reconhecer o tempo.
De escutar o que as várias rugas e marcas podem nunca ter tido coragem de dizer.
De dar as mãos e ficar assim, em um silêncio reconfortante.
Dia de agradecer a fortaleza.
Dia de entender o cansaço.
E parar a correria do dia-a-dia.
De encher o coração de muitas memórias especiais.
Dia de sorrir e de chorar, de emoção.

Hoje minha avó materna faz aniversário. Hoje minha avó completa 99 anos de vida!
Quem ganha presente sou eu, de ainda a ter assim, tão perto.
Minha avó materna sempre morou perto de mim e até eu sair da casa de meus pais, era ela quem ia me visitar, todos os dias, incansável e amorosamente. 
Hoje, eu quem a visito, umas duas ou três vezes na semana. 
Faço questão de um lanche da tarde ao seu lado e sei que isso preenche um pouquinho do seu extenso, rotineiro e tão longo dia.
Nessas visitas, às vezes, fico me imaginando assim, no lugar dela. E sempre, agradeço a oportunidade de mais um dia com ela. 



"Poderíamos portanto dizer que toda mãe contém a filha em si mesma e toda filha, a mãe; e que toda mulher projeta-se para trás estendendo-se na mãe e para a frente, na filha. Essa participação e “entremeação” produz uma estranha incerteza no que concerne ao tempo; a mulher vive antes como mãe e mais tarde como filha. A experiência consciente desses laços produz o sentimento de que sua vida está espalhada sobre gerações – o primeiro passo na direção da experiência imediata e convicção de estar fora do tempo, que traz consigo um sentimento de imortalidade." 
Jung, C. G. Collected Works, v.9, 1. Princeton University Press. p. 188.

A idéia da foto e da frase vieram da intenet. Eu achei muito linda e copiei!
Gratidão ao meu irmão Reny Jr pelas fotos e montagem!

sábado, 19 de março de 2016

Para as mães que acordam à noite

Meus filhos dormem a noite toda, praticamente todos os dias...
Eu durmo a noite toda, praticamente todos os dias...

Mas nem sempre foi assim...

Eu acordei muito, várias madrugadas, em noites intermináveis
Acordei para dar de mamar
Acordei, ou melhor, nem dormi, para acalentá-los da dor e mal-estar do refluxo e deixá-los dormir em pé apoiados no meu colo
Dormi noites encostada no sofá
Acordei, acordei, acordei...

Virei a noite "pajiando" febre, acalentando choros e agitação das rinites, sinusites, viroses
Acordei para levar pra fazer xixi, para trocar lençol molhado ou vomitado, mais de uma vez por noite
Acordei para dar a mãozinha e ficar sentada no chão, do lado da cama, para o medo ir embora e eles voltarem a dormir
Dormi no chão, do lado da cama deles
Acordei, acordei, acordei....

Comecei o dia com uma vontade louca de entregar meus filhos para alguém e ir pra cama dormir... pelo menos duas horas...
Cheguei a consultar com psiquiatra e ser afastada do trabalho por um tempo (será que foi 1 ou 2 meses meses???) para poder descansar (kkkkkk,, como??? minha filha tinha crises e mais crises de um refluxo com sinusite, que nunca sarava!!!)
Acordei para cobri-los no meio da noite, nos dias frio (e os não tão frios também!)
Acordei, acordei, acordei...



Meus filhos tem 8 e 5 anos de idade.
Eu e eles dormimos a noite inteira.
Mas nem sempre foi assim...
Isso acontece há menos de dois anos. 

Há dois dias, minha filha se remexeu muito à noite, falou dormindo, eu acordei e fui até o quarto. 
Meu filho (eles dormem no mesmo quarto), acordou e me viu.
Se levantou para ir ao banheiro e disse: "mãe, pode ir dormir"
Não fui. Esperei ele voltar para o quarto para lhe cobrir. 
Ele me disse: "mãe, eu te amo muito, pode ir dormir"
Eu vi que sua garrafinha de água estava vazia e perguntei se ele queria que eu enchesse
Ele disse: "não mãe, obrigado, pode ir dormir, você já me ajudou muito"
Eu fui, deitei, e fiquei assim, pensando que talvez ele estivesse com sede
Passado um tempinho, ouço barulho, ele levantando e tentando ir sozinho para a cozinha. 
Tudo escuro e sei que ele morre de medo do escuro.
Levantei e fui até ele.
Enchemos sua garrafinha, ele me olhou, me abraçou, com toda a gratidão do Universo
"Mãe, muito obrigado, eu te amo tanto, vai descansar"

E eu (a mãe), com olhos cheios de água, pensando que ficaria o resto da noite acordada, só para olhar para esse ser lindo que gerei, que cresceu, que se mostra preocupado com o meu descanso e reconhece o esforço que é levantar a noite para cuidar de outro...

Filho, eu desejei  muito poder dormir a noite inteira. 
Hoje, eu posso. 
E, ao te ver assim, tão grato por eu ter me levantado essa noite 
Eu pensei:
Acordaria, acordaria, acordaria.. tudo outra vez!!!




segunda-feira, 14 de março de 2016

Tempo, tempo, tempo.... és um dos deuses mais lindos

Relato de Doula

Parte 1 - Impressões emocionais (Da doula... que fique bem claro!!!)

A conheci no início da gestação
Uma menina assustada
Com vontade de crescer
Um marido moleque
Curioso e empolgado

Durante sua gestação
A menina descobriu um novo Universo
E com ele, a sua força, os seus desejos, sua coragem
E foi à luta
Enfrentou mudanças e resistências

Nas últimas semanas
A menina, já não tão menina assim
Se abriu para a sua transformação
Se permitiu olhar para dentro
E aguardar... a hora certa

39 semanas... e nada

40 semanas... sinais leve de preparação do corpo e passa 1 dia.... passam 2 dias.... passam 3, 4, 5 dias... passam 6 dias... e parecia que nada... Uma luta entre a confiança e a ansiedade... Uma luta entre a menina e a mulher... Uma luta entre o medo e a coragem

"Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo Tempo Tempo Tempo
Entro num acordo contigo
Tempo Tempo Tempo Tempo"

E a mulher surgiu, em todo o seu esplendor... fazendo acordos com o Deus-Tempo... refazendo lógicas... se conectando consigo mesma, com seu filho e com seus processos de Vida

Um trabalho de parto rápido, pois acredito eu que o processo de transformação veio acontecendo ao longo dessa última semana. A mulher estava pronta. O bebê estava pronto. O pai estava pronto.

Confesso que foi emocionante a ida até o hospital... doula no carro respirando junto com a mulher, mentalizando que ia dar tempo...

E deu... deu tempo de chegar, de sentar, de respirar, de curtir e até de ouvir música

"Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo
Quando o tempo for propício
Tempo Tempo Tempo Tempo"

O bebê veio devagarinho, coroou a sua mãe e permitiu que essa se despedisse desse estado por um bom tempo...

A doula, a pedido da mulher, sai ligeira da sala, para buscar um copo d´água e adivinha???
O "danadinho" termina de nascer

Um parto suave, com um ritmo próprio, ao seu tempo...
Sem pressa pra começar... rápido para evoluir...
Tempo, tempo, tempo...

A mulher se despediu lindamente e tranquilamente da menina grávia
O homem, ainda moleque, assumiu bravamente seu lugar
O bebê brindou sua família com sua chegada feliz




Parte 2 - Descrição cronológica!!!

04:30 - Marido avisando que começou
"Escorreu líquido pelas pernas e contrações de 2 em 2 minutos
Mas tá tranquilo, ela está até escovando o cabelo...."
Hum...
Começando a 41ª semana?
Doula sonhando durante a semana que amparava bebê nascendo?
2 em 2 minutos?
Melhor me arrumar

05:40 - Chego
Mulher concentrada
Contrações ritmadas: uma atrás da outra
Hã??? Vontade de fazer o quê???
Ligo pra médica: - Vem!!!!!!
Contrações com puxos

06:09 - Médica chega

06:10 - Médica arregala os olhos: Hora de ir pro hospital!!!

06:30 - Entrada triunfal no hospital (melhor que de novela, kkkkkk!)

07:30 - Nasce um bebê, uma mãe e um pai