domingo, 23 de julho de 2017

Luz e Sombras

Eu sempre fui um ser de Luz
E sempre me dei bem com meu lado iluminado
Sempre fui uma boa menina, bondosa, correta, justa e doce
Sempre fui boa no que me propus fazer
Sempre alcancei meus objetivos e
Quase sempre correspondi às expectativas dos Outros (fora não ter escolhido fazer Medicina)

Tá, sempre fui questionadora também e rompi alguns limites
Mas até isso é sempre com muita responsabilidade, com muita segurança, com muito respaldo teórico
Ou muito escondido, para ninguém descobrir

Bom, eu mudei
Desde que me aproximei dos 37 anos
As minhas sombras, que antes me rondavam bem de longe,
se escancararam para mim
E eu me abri para conhecê-las
Embora não soubesse que elas viriam assim, uma de mão dada com a outra

E desde então, estou sendo apresentada ao meu lado sombrio
E, pasmem!, eu não sou só Luz
Sou metade Sombras
E pior! Até gosto de dançar com elas. Gosto, admiro e reconheço suas forças


Mas daí vem o medo, a culpa, a insegurança, a raiva, a vergonha...
Como assumir que tenho sombras?
E o medo de decepcionar quem eu amo?
E o medo de não corresponder às expectativas que criaram sobre mim?
E o medo de ser punida, condenada, abandonada?

E assim, vou me descobrindo
Me conhecendo, me abraçando, me chorando
Chegando um pouco mais perto de mim
E a cada passo, descubro um pouco mais da minha força
E a cada passo, descubro o quanto ainda tenho a caminhar
Eu, que me achava forte, descubro que tenho um tanto de fraquezas para curar
Eu, que me achava fraca, sou confrontada a assumir o meu poder

Hoje eu dancei comigo mesma
Alguém que por muito tempo eu neguei
Dancei
e nesse compasso, acho que entendi como confiar
Me entregando à gira
E deixando a gira girar
Entendi que confiar é ir, apesar do medo
Rodar, ficar tonta e quem sabe, até cair
Ou não



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