quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Dentro de um abraço

Dizem que dentro de um abraço cabe até uma penteadeira
Ah não, isso é dentro do coração (já dizia a música)
Mas sinto aqui comigo que isso vale para alguns abraços também

Dentro desse abraço aqui cabem tantas histórias
Tantas vidas compartilhadas
Tantos encontros em dias (na verdade muito mais madrugadas) de ver a vida nascer
Tantos cursos e descobertas
Tantas risadas
Tantos tropeços
Tantos choros emocionantes

Dentro de um abraço amigo
Cabem olhares que brilham
Cabe colo que acalenta
Cabe vibrar pelas conquistas
Cabe só ficar em silêncio
e cabe falar pelos cotovelos (3 horas seguidas em um café e ainda chegar em casa e mandar um audio pelo whatsapp de algo "muito importante que acabei de lembrar e preciso te contar")

Mas dentro desse abraço dessas duas amigas
Cabe ainda muito mais
Cabem segredos incontáveis
Cabe pedir ajuda para algo impossível
Cabe sonhar em mudar o mundo
Cabe brincar sem compromisso
e cabe subir em qualquer palanque
Pegar o microfone e lutar
por partos e nascimentos mais seguros
e também por mais abraços quentes e amigos

Dentro de um abraço
Cabe a minha admiração, honra e gratidão por ter vocês duas em minha Vida

Feliz Dia... que venham muitos outros abraços!!!






segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Um brinde à minha Vida

Ontem, dia 26 de novembro, completei mais uma volta em torno do Sol.
E quanta coisa para agradecer, honrar e comemorar... Esse ano que se passou foi aquele em que abri meu coração para conhecer e acolher as minhas sombras.
Deixei minha mulher selvagem aflorar, me encantei e me assustei com ela.
Tenho estado mais em paz comigo mesma. Me admirando nos espelhos da Vida... corpo, alma, coração, profissão.
Descobri a umbanda e me reconheci nesse lugar de conexão espiritual.
Assumi que não sou Santa embora ainda morra de medo de decepcionar meus pais e todas as outras autoridades por mim reconhecidas.
Ano que me permiti voar sozinha algumas vez apesar do medo.
Ano que me senti reconhecida profissionalmente pelo que amo fazer.
Ano que acreditei em mim.
Ano que reforcei laços antigos de amizades da adolescência e criei novas e fortes conexões com pessoas incríveis. Ano que voltei a namorar e ser paquerada diariamente pelo meu amor-marido-companheiro. Dia 26 de novembro do ano passado passei sozinha em um quarto de hotel em uma viagem profissional bebendo um vinho maravilhoso que o Hotel me deu de presente. E foi maravilhoso.
Esse ano passei "Brindando a Vida". Brindando os encontros maravilhosos que a Vida me ofereceu. Junto de Mulheres que eu admiro e ainda tenho a honra de ser amiga. Dançando MUITO, com a minha Sombra e a minha Luz. Gratidão a todos os que brindaram comigo, virtualmente e pessoalmente.



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A partida da Otsu

E ela partiu. Na hora do almoço. 
Esperou a família toda chegar em casa para enfim descansar. 
Nossa cãopanheira de 13 anos. Uma Akita dócil, silenciosa, e super paciente com crianças. 
Estava velhinha e há cerca de dois meses começou a dar sinais de "velhice". Menos interesse em brincar, menos apetite, uivos de dor e dificuldade para andar... optamos por não intervir cirurgicamente (tinha opção por identificação de um tumor) por saber que os sinais faziam parte da idade e o procedimento não aliviaria sua dor.
E ela se manteve estável até ontem, comendo e interagindo quando a gente lhe dava atenção. 
Hoje amanheceu com gemidos de desconforto, passou a manhã mostrando mais cansaço e quando finalmente o Gu chegou para almoçar e fez um cafuné, ela se permitiu descansar. 
A gente vai sentir sua falta Otsu... do seu rabinho balançante, das viagens nas espaço-naves do Yuri e da Luana, nos passeios pelo bairro, nos banhos demorados por causa das suas 3 camadas grossas de pêlo, da sua mania de dormir na parede encostada no quarto dos meninos, dos seus pulos e adestramentos, do seu olhar doce e sempre vigilante. 
Gratidão pelo tempo e carinho compartilhados.



















quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Cansei de ser Santa

E a espiral que insiste em girar me trouxe para perto do ponto inicial novamente
Um ano se passou desde o Vendaval que me desorganizou e me levou para outro lugar em mim mesma, estranhamente familiar
Abri janelas e portas há tempos confortavelmente fechadas
Sai do ninho

Me permiti viajar sozinha
Sair com amigos, rir, beber
Trocar confidências
Flertar, me sentir desejada                                      
Emagreci e ousei me expor
Expus meu corpo
Ao dançar, me revelei

Finalmente conheci a Umbanda
e fui tomada pelo Sagrado
pela magia e espiritual
Senti na pele e no coração a força de meus Guias
Minha imperfeição foi acolhida
Reconheci meu lugar

Ah!
E fui me abrindo, me sentindo, me experimentando
Reconfigurando minha sexualidade
Atravessando tabus, medos, vergonhas
Sentindo dores profundas... dores de morte e vida
Profundos dilemas
De luta por mim mesma
Sintomas e mais sintomas no útero, na vagina, na alma
Ao mesmo tempo
Uma força descomunal, um poder imenso em mim mesma
Libertação e desejos a flor da pele
Dona de mim, do meu corpo, do meu prazer


Há um ano, me deparei frente a frente com minhas sombras
e foi um mergulho profundo nas minhas próprias entranhas
Sombras, lama, escuros
Eu, menina, com medo de pisar no fundo do rio
Fui arremessada para o meio do mangue 
Onde apesar do desconhecido, descobri Vida

E eis que me encontro novamente me descamando, me despindo, me expondo, me revelando
como uma serpente, em troca de pele

E ainda com medos e mais medos
Medos da menina que precisa corresponder a todas as expectativas
Que se mescla ao ambiente para se ocultar ou para ser vista em conformidade
Ela ainda me  habita
E a cada nova descamação, mais profundamente eu me enxergo

Não sou Santa
E não preciso ser
Santa não peca, não erra, não sente medo
Santa não deseja, não fala palavrão, não bebe
Não sou Santa
Sou Humana
Sou Terra e Sou Fogo
Sou Mãe, Sou Esposa e Sou Mulher
Sou Família e Sou Só
Sou tantas
Não sou Santa
Mas ainda assim Sou Sagrada
Sagrada em ser assim

Com essa mesma LAMA que limpa, purifica, cura
Essa lama que regenera, que transforma e transmuta
Entre a Terra e a Água
Lama que nutre, que abastece, que sustenta

Com essa SERPENTE, eu me livro do que já não serve mais        
Eu deixo minha casca seca, me desgrudo do que já não sou
Já tenho uma pele nova
Mais viva, mais brilhante, mais potente
Eu mesma me recrio
E com meu veneno, me resgardo
E com meu veneno, com a dose certa, curo


A idade, a lama, a serpente, a umbanda, a dança me trouxeram aqui
E sou grata a tudo que vivi e a tudo que ainda vou viver

Sou grata ainda e acima de tudo ao AMOR
que me acompanha em forma de um homem
Um companheiro de recriação
Que me permite transmutar enquanto me oferece seu porto seguro
Eu escolho, todo dia, estar ao seu lado

Não sou Santa, e não preciso ser
Mas ainda assim, sou Sagrada









domingo, 30 de julho de 2017

No seu lugar de poder (parto)

Não foi a primeira vez que estive com ela
Eu já a conhecia
De um outro parto
Que foi o meu primeiro como doula!
Há mais de quatro anos atrás
E, essa semana, novamente juntas

Acompanhando ela conseguir se re-encontrar
Consigo mesma
Ao lado e junto com o marido
Amparada por seu outro filho e sua sogra
E um olhar discreto da equipe

Foi um parto longo
Que veio se intensificando aos poucos
Exigindo fé e concentração
E muita paciência com o tempo
O tempo necessário e único de cada transformação

E ela não reclamou
Não perdeu o foco
Não se distanciou do momento
Se permitiu, se entregou (discretamente)
E pariu "quase" sozinha o seu filho

A equipe disponível mas desnecessária
Acompanhando atentamente de canto de olho
Aguardando ser chamada
E quando foi, foi assim, "correndo"
Pra poder assistir o primeiro choro, o primeiro abraço, o primeiro colo



E depois de parir
Já elaborando a jornada
A mulher, companheira de florais e meditações
Me conta que por algumas semanas estava me levando com ela
Para seu lugar de poder e cura
Com rosto pintado, como índia
Com outras mulheres
Que honra!!!! Que emoção!!!



E depois, uma paz indescritível
Sorrisos, leveza, brincadeiras e brindes
Família completa
Equipe em festa, esquecendo o cansaço de um parto atrás do outro
De noites sem dormir

Muitas gargalhadas
A Lua sorridente para nos abraçar
e lembrar que vale a pena, sempre!


(relato de doula, parto dia 27/07/2017)


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Resumo de parto Ritmado (de 15 em 15 min)

E assim, ainda mais rápida e calma que seu irmão "Beija-Flor" (aqui link do meu relato de doula do parto anterior), chegou uma "Borboletinha" na madrugada do dia 26/07/2017

00:05 - Primeira mensagem do pai no whatsapp: Início do trabalho de parto = Corram!!! (segundo parto, sendo que o primeiro foi de 3:30 no total)

00:15 - Eu, colocando roupa correndo pra ir pra casa deles

00:30 - Eu (doula, cunhada da mãe e, logo, irmã do pai) chego na casa. Ela, saltitante, de um lado para o outro, falante, contrações curtas com pequenos espaços de tempo entre uma e outra

00:45 - Enfermeira obstetra chega. Observa, ausculta, arruma seus apetrechos e equipamentos. Mas sabiamente nos diz que tudo pode ser diferente... que pode ser que ainda demore (rs...)

01:00 - "Se for igual ao primeiro, vai nascer lá pelas 5:00"

01: 15 -  "É verdade, esse líquido é a bolsa". Tudo ok.

01:30 - "Queria ficar assim, sem contrações" - 4 contrações no intervalo de 10 minutos

01:45 - Banqueta no box do banheiro. "Tá doendo muito", "Não sei se quero que nasça", "Por que dói tanto?"

02:00 - "Quero fazer cocô, e é mesmo cocô, eu sei, não tem nada aqui não"

02:05 - Nasceu! (e nem deu os 15 minutos, rs....)

Eu ainda assimilando a ideia de ter ganhado minha primeira sobrinha, depois de 5 sobrinhos. Feliz, emocionada, cansada, renovada, com o coração em festa por ter a oportunidade de viver isso na vida.

domingo, 23 de julho de 2017

Luz e Sombras

Eu sempre fui um ser de Luz
E sempre me dei bem com meu lado iluminado
Sempre fui uma boa menina, bondosa, correta, justa e doce
Sempre fui boa no que me propus fazer
Sempre alcancei meus objetivos e
Quase sempre correspondi às expectativas dos Outros (fora não ter escolhido fazer Medicina)

Tá, sempre fui questionadora também e rompi alguns limites
Mas até isso é sempre com muita responsabilidade, com muita segurança, com muito respaldo teórico
Ou muito escondido, para ninguém descobrir

Bom, eu mudei
Desde que me aproximei dos 37 anos
As minhas sombras, que antes me rondavam bem de longe,
se escancararam para mim
E eu me abri para conhecê-las
Embora não soubesse que elas viriam assim, uma de mão dada com a outra

E desde então, estou sendo apresentada ao meu lado sombrio
E, pasmem!, eu não sou só Luz
Sou metade Sombras
E pior! Até gosto de dançar com elas. Gosto, admiro e reconheço suas forças


Mas daí vem o medo, a culpa, a insegurança, a raiva, a vergonha...
Como assumir que tenho sombras?
E o medo de decepcionar quem eu amo?
E o medo de não corresponder às expectativas que criaram sobre mim?
E o medo de ser punida, condenada, abandonada?

E assim, vou me descobrindo
Me conhecendo, me abraçando, me chorando
Chegando um pouco mais perto de mim
E a cada passo, descubro um pouco mais da minha força
E a cada passo, descubro o quanto ainda tenho a caminhar
Eu, que me achava forte, descubro que tenho um tanto de fraquezas para curar
Eu, que me achava fraca, sou confrontada a assumir o meu poder

Hoje eu dancei comigo mesma
Alguém que por muito tempo eu neguei
Dancei
e nesse compasso, acho que entendi como confiar
Me entregando à gira
E deixando a gira girar
Entendi que confiar é ir, apesar do medo
Rodar, ficar tonta e quem sabe, até cair
Ou não